quarta-feira, 12 de março de 2008

naturalmente simples

Mistura-se, rebobina-se e cruzam-se as fitas. Play, pause and rewind e as teclas mudam-se de sítio. Tudo se complica em fracções de tempo. Cria-se, inventa-se e reorganiza-se. E perdemos o ponto de partida. Dependemos do mundo e das suas vontades infinitas, mas sabemos que há algo nosso que simplifica os passos que não deixamos entrar.

Quando de simples só lhe resta a vontade, não vale a pena pisar esse arame que de tão fino já só nos faz tremer.

If it was not made to be simple, it wouldn't be natural.

terça-feira, 11 de março de 2008

um não-dizer

é engraçado como caminhamos por ruas que não são nossas, como paramos em lugares alugados.
é engraçado como nos emprestam sorrisos que não nos pertencem e como as palavras são devolvidas em cada ponto final.
é engraçado como damos o que é nosso e nos entregam um usado com prazo de validade.
é engraçado como nos vemos e revemos em circunstancias desiguais que retornam ao ponto de partida na hora da vinda.
é engraçado como nos contentamos com esse pouco quando não temos nada... e como queremos mais quando já temos muito.

silêncio. fica em silêncio. esse sei que não é igual. sem cupões de troca.
fica. agradavelmente em silêncio.
partilhemos o que mais ninguém consegue dizer. não digas nada.

segunda-feira, 10 de março de 2008

eu do avesso

pensamos no mundo, pensamos nos dias, pensamos no tempo e nas suas formas passadas, presentes e futuras.
pensamos nas pessoas, nos estranhos, pensamos nas coisas.
pensamos nas músicas e nos carros que passam.
pensamos nas aulas, no trabalho e no que não temos.
pensamos no que queremos, pensamos no que perdemos.
pensamos no avesso dos momentos que soubemos guardar e nos pedaços que jogamos fora.
pensamos em agendas, em palavras e em construções de papel.
mas o tempo esgota-se e hoje não pensamos em nós.
se eu olhar para o espelho e pensar em ti, estarás tu a pensar no que também vês?

domingo, 9 de março de 2008

a bailarina e a bolha de sabão

porque há coisas que se querem mais que perfeitas e há momentos que se querem no imperfeito. há coisas que nos caem no colo que têm de ser simples, fáceis, imaturas e agradavelmente silenciosas. quando as coisas nos baralham e não têm um futuro que sabemos declinar, tendemos a voltar atrás e a fazer delete mas nem sempre conseguimos. porque há coisas que não controlamos. são elas que mandam e nós... nós ficamo nos pelo pouco que nos faz feliz.



and this girl tries her best every day...

terça-feira, 4 de março de 2008

vai e volta

quase frio, quase quente.
quase cetim, quase espinho.
quase um sorriso, quase um olhar que se afasta.
quase uma palavra, quase um som.
quase cereja, quase limão.
quase...
um quase sabe sempre a quase tanto e a quase nada.

segunda-feira, 3 de março de 2008

fico

e corro, corro, corro. e sinto que não saio do lugar. ando, caminho, percorro. mas estou sempre no mesmo sítio. nada muda. só eu fico cada vez mais cansada. o ar foge. o tempo pára. a paisagem permanece. os dias repetem-se.

sábado, 1 de março de 2008

the dance of youth

só queria que fosse sábado e o tempo fez-me a vontade.

pintei-me de calças pretas, uma camisola larga e um lenço. gosto de lenços nas tardes quentes e de cachecóis em noites frias. amarrei o cabelo porque hoje não me queria preocupar com nada que me incomodasse. óculos de sol para ele só me tocar de leve na cara e saí. um gelado, um passeio pela cidade. já não lhe conhecia as cores e reconhecemo-nos num encontro descontraído e casual.

pelos jardins, parecia criança enquanto o gelado se derretia pelas mãos. sorri. nem tudo mudara.

as pessoas de sempre num sitio diferente. repensei o de ontem e vi o quanto é bom acharmo-nos nos outros e poder tê-los em nós. e senti no ar um quadro de picasso bem diferente e trapalhão.

não te invejo, nem te invejo essa inveja. tenho o que preciso e que vou encontrando nos tropeços dos dias.